RESUMO: Uma avaliação de treinamento para servidores de organizações administrativas locais em Ayutthaya, na Tailândia, identificou alta satisfação e avanço mensurável no domínio de gestão do turismo criativo, mas pouca incorporação contínua das competências à rotina. A pesquisa indica que cursos breves podem elevar consciência e conhecimento, porém exigem funções definidas, recursos, liderança e acompanhamento para se converterem em mudança organizacional, geração de renda comunitária e preservação cultural.
O QUE HÁ DE NOVO: Pesquisadores avaliaram um curso de um dia voltado à gestão de turismo criativo comunitário para aproximadamente 60 servidores responsáveis por atividades turísticas no entorno do Parque Histórico de Ayutthaya, patrimônio mundial. O diferencial foi acompanhar a iniciativa em quatro níveis, reação dos participantes, aprendizagem, comportamento no trabalho e indicadores de turismo, em vez de encerrar a avaliação na satisfação imediatamente após a formação.
COMO FUNCIONA: A avaliação adotou o modelo de Kirkpatrick, estrutura usada para examinar programas de capacitação. Ao fim do curso, os participantes responderam a questionários de satisfação; antes e depois das atividades, fizeram o mesmo teste de 30 questões e uma autoavaliação sobre 12 competências, como planejamento, comunicação, trabalho em equipe e pensamento criativo. Um ou dois meses depois, entrevistas por telefone investigaram a aplicação no trabalho, obstáculos e mudanças no ambiente profissional; seis meses após a formação, o estudo comparou dados de visitantes e receitas turísticas da província.
PRINCIPAIS RESULTADOS: A nota média no teste objetivo passou de 16,78 para 20,82 pontos em 30, uma diferença estatisticamente significativa. Os ganhos apareceram em quase todos os perfis, com destaque para mulheres, pessoas com ensino superior, servidores entre 36 e 55 anos e profissionais em contato direto com turistas. No entanto, 78,13% disseram usar os conhecimentos apenas ocasionalmente, enquanto 12,5% relataram uso regular. Comunicação interna e externa, criatividade e trabalho em equipe foram os aspectos com melhora percebida mais forte.
POR QUE ISSO IMPORTA PARA A EDUCAÇÃO: O caso oferece um alerta para políticas de educação continuada e desenvolvimento de servidores: domínio de conteúdo não equivale automaticamente a competência aplicada. Para docentes, gestores de formação e redes públicas, a lição é que o desenho pedagógico precisa prever prática situada, tempo de experimentação e retorno ao local de trabalho com apoio de supervisores. Sem essas condições, a capacitação tende a produzir aprendizagem individual de curto prazo, mas não altera processos, serviços ou resultados coletivos. Embora a fonte não trate de inteligência artificial, a conclusão também é relevante para formações em tecnologias educacionais: ferramentas e cursos só geram impacto quando vêm acompanhados de infraestrutura, governança, tempo de uso e objetivos institucionais claros.
LIMITES E PRÓXIMOS PASSOS: A elevação de visitantes e receitas em Ayutthaya não pôde ser atribuída diretamente ao curso, pois coincidiu com a recuperação do turismo após a COVID-19, a sazonalidade e fatores econômicos, como inflação. O estudo também se concentra em um único território, teve acompanhamento comportamental de cerca de dois meses e usou parcialmente relatos dos próprios participantes. As recomendações incluem formações mais longas, de uma a duas semanas, criação de equipes e espaços dedicados ao turismo criativo, alocação de orçamento e atribuições compatíveis com as aptidões dos servidores. Pesquisas futuras poderão testar esses arranjos por mais tempo, em outros contextos e com grupos de comparação, para separar o efeito do treinamento das mudanças externas.