Um levantamento com universitários indonésios mostra que a incorporação de inteligência artificial (IA) ao estudo depende sobretudo de os alunos reconhecerem valor prático, encontrarem conteúdo confiável e conseguirem operar as ferramentas sem barreiras. Os resultados oferecem sinais para currículos e políticas institucionais, mas vêm de uma amostra restrita e não permitem concluir que o uso de IA tenha melhorado, por si só, o desempenho acadêmico.

O QUE HÁ DE NOVO: O estudo investigou a adoção de ferramentas de IA por 61 estudantes de graduação em Administração de Escritórios da Universitas Sebelas Maret, em Surakarta, na Indonésia. Entre os participantes, todos com ao menos um semestre de experiência com aplicações de IA em disciplinas, 44% apontaram o ChatGPT como recurso principal; Google Gemini apareceu com 21%, enquanto Perplexity AI e Poe AI foram citados por 13% cada e Microsoft Copilot por 8%. Para 66%, mecanismos de busca na internet eram a fonte predominante de informação sobre IA.

COMO FUNCIONA: A pesquisa combinou o Modelo de Aceitação de Tecnologia (TAM, na sigla em inglês) com o modelo de sucesso de sistemas de informação. Por meio de questionário on-line com escala de concordância de cinco pontos, os alunos avaliaram qualidade da informação, qualidade do sistema e do serviço, facilidade de uso, utilidade, atitude, intenção e uso efetivo, além da percepção de efetividade da aprendizagem. Os dados foram analisados por modelagem de equações estruturais, método que estima as relações entre esses fatores a partir das respostas dos estudantes.

PRINCIPAIS RESULTADOS: A percepção de utilidade foi o vínculo mais forte identificado com a atitude favorável ao uso de IA (coeficiente de 0,706). A qualidade da informação teve efeito expressivo sobre a utilidade percebida (0,571), e a qualidade do sistema esteve associada tanto à utilidade (0,508) quanto à facilidade de uso (0,536). Nem todas as relações esperadas se confirmaram: a facilidade de uso não mostrou associação estatisticamente significativa com a atitude, e a qualidade do serviço tampouco se relacionou de forma significativa à utilidade. O resultado sugere que, nesse grupo, o valor atribuído às respostas e à experiência direta com a ferramenta pesou mais do que suporte percebido.

POR QUE ISSO IMPORTA PARA A EDUCAÇÃO: Para docentes e gestores, a pesquisa desloca o debate de simplesmente disponibilizar IA para a qualidade de sua integração pedagógica. Se os estudantes recorrem principalmente a buscadores para aprender a usar essas ferramentas, instituições podem ter pouca influência sobre critérios de confiabilidade, autoria e uso ético. Formação em letramento em IA, atividades que exijam checagem de respostas e orientação sobre privacidade podem transformar o uso espontâneo em prática acadêmica mais crítica. Interfaces acessíveis e conteúdos em idioma e contexto adequados também são relevantes para evitar que a vantagem fique concentrada entre quem já tem maior familiaridade digital.

LIMITES E PRÓXIMOS PASSOS: Como o levantamento foi realizado em um único curso, com 61 alunos de uma universidade, seus resultados não representam automaticamente outras áreas, instituições ou regiões da Indonésia. O desenho transversal captura percepções em um momento específico e mede efetividade de aprendizagem pela visão dos participantes, não por avaliações independentes de desempenho. Estudos que acompanhem diferentes turmas ao longo do tempo, comparem práticas orientadas e não orientadas por professores e analisem efeitos sobre aprendizagem, integridade acadêmica e desigualdades de acesso poderão indicar com mais segurança quais formas de uso da IA merecem ser incorporadas ao currículo.

Fonte: Evaluating AI adoption among university students in Indonesia: A case study at the Department of Office Administration Education at the Universitas Sebelas Maret