Uma pesquisa com 200 universitários de três instituições nigerianas indica que os estudantes valorizam sobretudo a possibilidade de manter o controle sobre suas decisões e seu trabalho acadêmico ao usar inteligência artificial (IA). O estudo amplia uma investigação anterior realizada nos Estados Unidos e mostra que acesso à tecnologia, privacidade e perspectivas de emprego também moldam o debate ético no ensino superior.
O QUE HÁ DE NOVO: Pesquisadores aplicaram, entre junho e julho de 2025, um questionário a alunos de graduação da Universidade de Jos, da Universidade Estadual de Plateau e da Universidade Estadual de Bauchi, na Nigéria. A investigação reproduz e adapta um estudo anterior com 110 estudantes nos Estados Unidos, desta vez para examinar como universitários nigerianos avaliam princípios éticos ligados ao uso de IA em atividades acadêmicas.
COMO FUNCIONA: A pesquisa não testou uma ferramenta nem mediu desempenho escolar: investigou opiniões sobre IA, tomando o ChatGPT como referência. Em um formulário on-line, os participantes avaliaram dez afirmações sobre cinco princípios, promoção de benefícios, prevenção de danos, justiça, autonomia e explicabilidade, isto é, a possibilidade de compreender o funcionamento e as respostas da IA, e justificaram suas posições em perguntas abertas. Os pesquisadores compararam as avaliações e examinaram sua relação com características como gênero e familiaridade declarada com tecnologia; também analisaram temas recorrentes nas respostas escritas.
PRINCIPAIS RESULTADOS: A autonomia recebeu o maior apoio, com concordância de 150 dos 200 participantes (75%); a explicabilidade ficou em último lugar, com 84 (42%). Benefícios e prevenção de danos tiveram apoio intermediário, enquanto as opiniões sobre justiça ficaram mais divididas. Maior familiaridade tecnológica declarada esteve associada a mais apoio à autonomia, aos benefícios e à prevenção de danos; mulheres manifestaram maior concordância com justiça e prevenção de danos do que homens. Nas respostas abertas, 57 estudantes mencionaram infraestrutura e acesso, 46 citaram emprego e renda, e 32 apontaram a importância de adequação cultural e linguística.
LIMITES E CUIDADOS: Os participantes eram voluntários de apenas três universidades, selecionados por conveniência, o que impede tratar os percentuais como representativos de todos os universitários nigerianos. As conclusões descrevem percepções declaradas, não o comportamento dos alunos ao usar IA nem efeitos sobre a aprendizagem; as associações demográficas também não estabelecem relações de causa e efeito. Na análise das justificativas, respostas neutras foram agrupadas com as de discordância, uma escolha que pode reduzir a visibilidade de posições ambivalentes.
POR QUE ISSO IMPORTA PARA A EDUCAÇÃO: Para docentes, a prioridade dada à autonomia sugere atividades em que estudantes precisem verificar respostas da IA e justificar suas próprias escolhas, em vez de apenas entregar um resultado gerado pela ferramenta. Para universidades e formuladores de políticas, o debate sobre justiça exige considerar custos de conexão, disponibilidade de dispositivos e acesso à energia antes de estabelecer expectativas iguais de uso. Os pesquisadores defendem combinar formação crítica sobre IA, proteção de dados e preparação para o trabalho; testar essas medidas e ouvir outros grupos da comunidade acadêmica são próximos passos para orientar decisões mais amplas.
Fonte: Autonomy versus algorithm: a replication study of student perspectives on AI ethical boundaries